Lendo as experiências dos colegas, fui ficando mais a
vontade para contar sobre a minha experiência. As minhas lembranças de
infância me chegam pouco a pouco. Fui recordando de alguns livros, e me
surpreendi com a lembrança da capa de um livro: Marcelo, martelo,
marmelo. Não me recordo da história direito. Porém, esse momento de
saudosismo me trouxe à tona sentimentos, sensações, lembranças
escondidas e esquecidas pelo tempo. E é isso que a leitura faz, aflora
em nós leitores uma percepção e um contato mais íntimo conosco mesmo.
Voltando ao livro, vou contar como ele chegou a mim.
Meu
pai era funcionário da Volkswagen, e na época do Natal a empresa dava
aos filhos dos funcionários um brinquedo e alguns livros.
Brinquedos
e livros vinham dentro de um grande saco plástico branco com um lindo
desenho do Papai-Noel. Era uma sensação indescritível a nossa alegria ao
ver meu pai chegar com isso, inclusive ele trabalhava em turnos, quando
acontecia de estar trabalhando à noite, a gente não conseguia dormir, a
noite era longa!
Dessa forma, todo ano ficávamos ansiosos por
esse momento. Assim, fui tendo um contato com os livros, pois meus pais
não tinham o hábito da leitura, inclusive tinham estudado muito pouco,
naquela época falava-se em primário completo, ou seja, até a
quarta-série.
Com essa atitude admirável da empresa, atuando
de forma consciente seu papel social no mundo, possibilitou a mim e ao
meu irmão um conhecimento e uma satisfação de ter iniciado o mundo da
leitura. Diante disso, já na escola, passamos a dar continuidade as
leituras solicitadas e orientadas por nossos professores.
Recordar minha história foi uma imensa satisfação.
Depoimento de Débora Lacerda
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